quarta-feira, agosto 16, 2006

O sobrevivente, de C. Drummond de Andrade

Impossível compor um poema a essa altura da evolução da humanidade.
Impossível escrever um poema - uma linha que seja - de verdadeira poesia.
O último trovador morreu em 1914.
Tinha um nome de que ninguém se lembra mais.

Há máquinas terrivelmente complicadas para as necessidades mais simples.
Se quer fumar um charuto aperte um botão.
Paletós abotoam-se por eletricidade.
Amor se faz pelo sem-fio.
Não precisa estômago para digestão.

Um sábio declarou a O Jornal que ainda falta
muito para atingirmos um nível razoável de
cultura. Mas até lá, felizmente, estarei morto.

Os homens não melhoram
e matam-se como percevejos.
Os percevejos heróicos renascem.
Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado.
E se os olhos reaprendessem a chorar seria um segundo dilúvio.

(Desconfio que escrevi um poema.)

Quase tudo está dito. Só uma coisa me intriga: De onde ele tirou, em 1930, essa de que "Amor se faz pelo sem-fio"?

4 Comentários:

At 16 agosto, 2006 22:25, Blogger CALEXIco. disse...

Boa pergunta!

Recebeu os links? Conseguiu baixar?

**

E o jogo parou por causa da neblina, nação colorada!

 
At 23 agosto, 2006 00:18, Blogger Rogério disse...

Muito obrigado pelos Brecht & Weill. Breve posts comentantes.

 
At 09 abril, 2008 00:53, Blogger Penetralia disse...

Realmente, achei que o poema Sobrevivente tivesse sido escrito em 1987...

 
At 30 junho, 2008 13:36, Anonymous Anônimo disse...

um padre brasileiro Pe. roberto landell de moura inventou o telefone sem fio em 1900 aproximadamente

 

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