segunda-feira, setembro 05, 2005

Nel mezzo del cammin - Literaturnost



Nel mezzo del cammin di nostra vita
mi ritrovai per una selva oscura
ché la diritta via era smarrita.

Ahi quanto a dir qual era è cosa dura
esta selva selvaggia e aspra e forte
che nel pensier rinova la paura!

Tant'è amara che poco è più morte;
ma per trattar del ben ch'i' vi trovai,
dirò de l'altre cose ch'i' v'ho scorte.

Io non so ben ridir com'i' v'intrai,
tant'era pien di sonno a quel punto
che la verace via abbandonai.

Ma poi ch'i' fui al piè d'un colle giunto,
là dove terminava quella valle
che m'avea di paura il cor compunto,

guardai in alto, e vidi le sue spalle
vestite già de' raggi del pianeta
che mena dritto altrui per ogne calle.

Allor fu la paura un poco queta
che nel lago del cor m'era durata
la notte ch'i' passai con tanta pieta.
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Há mais de dez anos sei decor estes versos. Decor no sentido original - ter no coração, saber de-coração. Em inglês até hoje se diz ‘to know by heart’. Então há muito tempo tenho estes versos no coração.
Assim Dante começa a Commedia. São os versos iniciais do primeiro canto, que é um canto introdutório aos outros noventa e nove cantos - 33 do Inferno, 33 do Purgatório e 33 do Paraíso. É relato do estado em que se encontrava o personagem...
'Nel mezzo del cammin di nostra vita mi ritrovai per una selva oscura ché la diritta via era smarrita.'
No meio do caminho da nossa vida - significa por volta dos 35 anos de idade porque na época de Dante acreditava-se que um bom tempo de vida seria 70 anos - me encontrava em uma selva escura porque a via correta estava perdida.
Antes esses versos já me diziam muito, mas agora, talvez porque recém completei 35 anos, eles me tocam mais do que nunca.
Li várias traduções da Commedia em prosa e em verso. Há uma nova da edição da Editora 34, em três volumes, bilíngue, que é bem interessante, mas acabei optando por uma outra, em um único volume, com tradução de Vasco Graça Moura e boas notas, da Editora Landmark. Tenho uma edição italiana de bolso que comprei na casa que dizem ter sido de Dante, em Florença. O Inferno cabe, e tem andado, no meu bolso...
Quero deixar claro que não acredito em Inferno, Purgatório ou Paraíso, aqui ou em outro lugar, assim como não acredito que teremos Star Wars, mas não deixo de me emocionar nem com os pesares de Francesca e Paolo (Canto V), nem com a desgraça de Anakin Skywalker...

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